‘Não vejo a hora de chegar em casa’. Esse comentário, comum no dia a dia, indica que o lar é um espaço de refúgio, pelo menos para a maioria das pessoas. No entanto, para os moradores da Vila Dique essa afirmação corriqueira pode despertar uma sensação de insegurança e de vulnerabilidade.
É que a comunidade vive uma despedida coletiva forçada. A vila, que está localizada no entorno do Aeroporto Salgado Filho, entre a avenida Severo Dullius e a Freeway, fica em um dos equipamentos do sistema de proteção contra as cheias que não resistiu durante as enchentes de 2024.
A comunidade já chegou a ter mais de 1.500 famílias cadastradas, mas, quando a enchente chegou, restavam quinhentas. Aqueles que tentavam se manter onde se estabeleceu essa vila, há mais de cinco décadas, tiveram então de abandonar as próprias casas para sobreviver.
E o recomeço é também a preparação para o fim. A gestão municipal começou a remoção do Trecho 1 em 3 de agosto, para realizar as obras de proteção contra possíveis novas cheias. O início desse processo de remoção, para a comunidade, simboliza a quebra de uma resistência.



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